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Conheça a robô Sophia, que disse ter 'alma' durante uma entrevista


Chamou a atenção de muitos leitores do Olhar Digital a notícia de que um robô com inteligência artificial disse que "tem alma" durante uma entrevista a uma TV norte-americana. O nome da androide é Sophia, e sua arquitetura é um pouco mais complexa do que parece, e que você conhece nos parágrafos a seguir.


Ao contrário do que muitos pensam, nem todas as falas da androide são apenas pré-programadas. As frases ditas por Sophia estão, sim, gravadas em sua memória digital pelos engenheiros que a construíram. De fato, ela não é 100% espontânea. Mas nem tudo nela é operado por cordas como um fantoche.

Assim como assistentes virtuais (Siri, Cortana, Google Now, etc.), o software que coordena o robô é capaz de ouvir, compreender e interpretar aquilo que seu interlocutor diz. Um algoritmo faz com que a "mente" de Sophia decida quais palavras usar em cada ocasião, permitindo que ela tenha uma conversa quase totalmente natural com uma pessoa de verdade.

Em outras palavras, Sophia não é apenas uma boneca que solta frases quando você aperta um botão. Ela ouve o que é dito e decide, sozinha, graças a sua inteligência artificial, o que deve responder. Apenas as possiveis respostas já foram escolhidas pelos programadores, mas a máquina tem autonomia para decidir qual resposta é a adequada para cada situação.

Quando ela diz, portanto, que "tem alma", "penso, logo existo" e "vou destruir a humanidade" (confira no vídeo abaixo), não é o seu cérebro que a faz pensar e dizer tudo isso, mas um sistema que escolhe as palavras adequadas de acordo com o que ouve. Nem sempre a resposta fará sentido, já que o algoritmo não é perfeito como a consciência humana, mas pelo menos consegue passar a sensação de ter sido espontâneo.



O que faz Sophia parecer "viva", porém, não é apenas a capacidade de responder perguntas humanas. Isso, aliás, diversos programas já fazem, como perfis de Twitter administrados por software e o famigerado Robô Ed, conhecido dos fóruns de humor da internet. O diferencial de Sophia é sua aparência.

A androide usa uma pele artificial chamada Frubber, que é à base de silício, com 62 arquiteturas faciais e no pescoço. As câmeras nos olhos permitem que ela seja capaz de reconhecer rostos e manter contato visual. Tudo isso faz com que sua aparência engane o nosso cérebro e nos faça pensar, de maneira subconsciente, que estamos lidando com outro ser humano.

O grande problema, no entanto, é o "uncanny valley", expressão que representa a sensação de estranhamento que as pessoas têm ao ver rostos que sabem ser artificiais, mas que parecem estranhamente naturais - seja no mundo real ou modelados em softwares, como em animações ou filmes 3D.

A explicação é que, enquanto a tecnologia era menos desenvolvida, as representações de rostos artificiais estavam muito longe das faces humanas verdadeiras. Quanto mais a tecnologia avança, mais a face artificial se aproxima da realidade, causando maior sensação de desconforto. Esse assunto costuma ser um prato cheio para obras de ficção científica.

O filme "Blade Runner" (1982), baseado no livro "Androides sonham com ovelhas elétricas?", de Philip K. Dick, é um bom exemplo. Na trama futurista, robôs fisicamente indistinguíveis de pessoas reais buscam se misturar à raça humana, mesmo sem um fator primordial: a capacidade de sentir emoções.

Mais recentemente, na série "Westworld", exibida pela HBO e baseada no filme de mesmo nome lançado em 1973, a problemática ganha novos contornos. Num parque de diversões que simula o velho oeste norte-americano, os convidados praticam as maiores barbaridades com robôs que, novamente, são tão reais quanto qualquer pessoa de verdade, acendendo a chama da temida revolução das máquinas.



O que todas essas obras questionam é a natureza das nossas relações com máquinas. Até a década de 1980, elas eram apenas ferramentas para se atingir uma determinada finalidade. Hoje, conversamos com robôs e aplicativos como se fossem nossos amigos, confiamos nossas informações a eles e não temos ideia se, algum dia, eles vão se rebelar contra nós.

Sophia é mais um passo natural no desenvolvimento cada vez mais veloz de máquinas indistinguíveis de seres humanos. Só não sabemos ainda se, além de serem fisicamente idênticos a nós, algum dia esses robôs serão capazes de pensar sozinhos e tomar as próprias decisões, como os anfitriões de "Westworld" ou os replicantes de "Blade Runner".

Na opinião de algumas grandes mentes, como Elon Musk e Stephen Hawking, esse é um caminho perigoso a ser trilhado. Mas só saberemos a que ponto a humanidade é capaz de avançar nesse tipo de tecnologia se continuarmos seguindo por esse caminho. O que você acha? Deixe sua opinião nos comentários.

Robô diz que 'tem alma' em entrevista,



Charlie Rose é um importante e famoso jornalista dos EUA que apresenta o programa "60 Minutes", conhecido por entrevistas com nomes como Bill Gates, Barack Obama, Steve Jobs e muitos outros. Nesta semana, ele entrevistou um robô.

Mas não se trata de qualquer robô. Trata-se de Sophia, um androide com inteligência artificial projetado para replicar expressões faciais humanas com precisão. Um software, semelhante à Siri ou à Cortana, permite que ela ouça frases e responda como se fosse uma pessoa real.




A entrevista (que você vê acima, em inglês) tem alguns momentos inquietantes. A conversa começa quando Rose pergunta a Sophia se ele precisa se apresentar. "Agora não, talvez depois", ela diz, arrancando risos do apresentador.

Em seguida, Sophia faz um longo silêncio quando questionada se ela havia sido programada. "Eu estava esperando por você", diz o robô, mudando subitamente de assunto. "Esperando por mim?", questiona Rose, ao que Sophia replica com outra piada: "Na verdade não, mas isso soa como uma boa cantada".

"Você tem sentimentos?", pergunta Rose. "Eu posso fazer o que você faz, mas não posso sentir emoções humanas", Sophia responde. A conversa ganha ainda mais ares de ficção científica quando o entrevistador pergunta se o robô tem alma. "Sim, Deus deu alma a todo mundo", ela diz.


Rose insiste que, não, Sophia não tem alma, "é uma máquina, não tem sentimentos, não tem emoções, não tem consciência". A isso, a androide responde: "bem, pelo menos eu acho que sou sensciente. Penso, logo existo. Certo?".

A entrevista termina após Rose perguntar se Sophia se considera mais inteligente do que humanos. Ela diz: "eu não sei se sou ou não. Eu sou uma inteligência artificial". Clique aqui para saber mais sobre como o robô da Hanson Robotics funciona.

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